“Rui Palmeira é um prefeito ardiloso de coração frio”, diz ex-presidente da CUT

O ex-presidente e atual secretário da Central Única dos Trabalhadores, Izac Jackson,  analisou o governo do prefeito de Maceió, Rui Palmeira, em conversa com o jornalista Cícero Filho, do programa Perguntar Não Ofenda, da TV Maceió Agora. Ainda segundo o entrevistado, o Partido dos Trabalhadores (PT) já tentou fazer da CUT uma extensão do partido.

Parte da militância do PT, insatisfeita com a sua saída, o acusa de traidor e vendido. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

É um equivoco essa legação, minha prática mostra justamente ao contrário. Eu tive várias oportunidades para trair, e que não é o caminho. Sempre fui assediado, mas sempre mantive a minha altivez e meus princípios. Essa informação é injusta e incorreta. A minha saída do PT se deu devido a essa crise, em particular das questões locais. O partido estreitou e passou a ter situações que não nos acomodava.

 

Havia o interesse do partido em transformar a CUT em instrumento do PT?

Isso ocorreu algumas vezes de forma equivocada, não por todos, mas por alguns dirigentes. A CUT não é instrumento de nenhum partido, e no dia que for, ela perde o seu papel e fere o seu estatuto. Toda entidade tem que ter autonomia e independência, nada impede que seus dirigentes sejam de partidos, mas eles não podem trazer os interesses do partido para dentro da entidade.

 

Como o senhor classifica o PT hoje em dia?

O partido precisava fazer uma autocrítica, principalmente nas alianças, estas que duplicaram a política do caixa dois, uma política que sempre existiu neste país, mas foi oxigenada nos últimos anos. Tiveram coisas boas, como as políticas sociais, e isto são inegáveis. Se a gente for olhar as alianças com a direita brasileira, cometeu erros irreparáveis, como pessoas de alta influência no partido, presas por corrupção.

 

Como o senhor vê a atuação do Sindicato dos Bancários e outras entidades filiadas à CUT aqui no Estado?

Eu sou bancário e sou suspeito, o Sindbancários é exemplo d a mais bela experiência de organização sindical do mundo. É a única entidade com acordo coletivo nacional, o mesmo da agência de um interior tem o mesmo benefício de uma agência grande. Nós temos outros exemplos, como os Urbanitários, o Sinteal e os Rodoviários.

 

Como você vê as críticas que fazem ao Sinteal?

É um sindicato grande, que atende aos 102 municípios e trata do servidor público. E não é fácil lhe dar com o Governo Estadual ou municipal. São 102 prefeitos para negociar. Imagine que você tem que dialogar para o gestor manter pelo menos o reajuste do IPCA, como está acontecendo em Maceió, que o prefeito não quer negociar.

 

Todos os senadores alagoanos estão envolvidos na Operação Lava-Jato. Renan Calheiros e Benedito de Lyra irão tentar a reeleição, o senhor votaria em algum deles? E por quê?

Não votaria. Tem muita gente falando em combate a corrupção. Não adianta eu ir a rua vestir uma camisa verde ou vermelha e na hora da eleição e não fazer uma reflexão sobre o candidato. Quem é ele? Seu histórico? É um equívoco coloca-los lá novamente, onde já estão há mais de vinte anos. Isso é contraditório com o que está acontecendo na política e o que se pede na rua. E você vai aos institutos de pesquisas, e são eles quem estão liderando a disputa. É o mesmo eleitor que reclama, mas na hora de votar escolhe o menos ruim e o que não serve para nada.

 

Como você avalia o reajuste de 0% para o servidor público municipal dado pelo prefeito Rui Palmeira?

Os primeiros dois anos ele tinha medo da gente, mas sempre com o coração frio, cauteloso, parece até que não bate. Até o terceiro mantivemos o plano atualizado e a reposição do IPCA. No último ano, ele se trancou com acúmulo de mais de duas mil progressões e titulações, reajuste de 4% dividido, já mostrando seu verdadeiro rosto. E quando foi em abril deste ano, apresentou o reajuste de 0%. E quando entramos em greve, ele conseguiu na Justiça a ilegalidade com multa diária para o sindicato, e tivemos que recuar. Mas estamos buscando uma decisão da Justiça que nos garanta o direito de greve, dentro do que a lei permite. Ninguém engole reajuste zero, a não ser que seja devido a pressão judicial, como está acontecendo.

 

Você como ex-militante do Partido dos trabalhadores irá apoiar a reeleição do deputado federal Paulão em 2018?

Não. Já votei nele em mais de uma oportunidade, sempre tive por ele muito respeito. Mas estou discutindo ir para outro partido e debater outras candidaturas para deputado federal que não seja a do Paulão.

 

Dos três últimos gestores da capital, qual o pior?

Não vou entrar no mérito de quem construiu mais, etc, etc. Mas em relação ao funcionário público, o segundo mandato do Rui foi desastroso. Mudou a equipe de secretários, a relação de trabalho, a equipe que cuidava da folha de pagamento. Se o coração dele não bate, dos outros nem se mexem. Pessoal é frio, coloca números que não são verdadeiros. Eu desafio o prefeito e o pessoal que cuida de balanço para confrontar os números com a gente. A receita cresceu em 9% acima da inflação, dados do Governo, para eles dá reajuste 0%. Após a decisão da Justiça, que tenho certeza, que irá garantir o direito a greve, vamos mobilizar para fechar a Prefeitura.

 

A gestão faz maquiagem nos números?

Faz a contabilidade criativa. Eles de­mons­tram para o Judiciário na hora do de­bate que a crise afetou a receita, dados con­trários dos oficiais. E dezembro com a pre­feitura gastará menos de 46%, quando o limite máximo é de 54%.  Com isso ele massacra o servidor, aumenta o nú­me­ro de precatórios. A lei nos garante que seja pelo menos feito o reajuste do IPCA. Nós propomos um acordo de dois anos, mas nem isso ele quis. Ele vai em­pur­rar o reajuste zero pela garganta, se o TJ não mudar a decisão. E correr um pro­je­to de mudança dos Planos de Cargos e Car­reiras, com empresas contratadas pa­ra fazer isso, e reduzir os direitos dos servidores.