Washington Luiz ficará afastado do TJ até março

O desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas será interrogado dia 22, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília, sobre suas ligações com o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus.

O interrogatório será conduzido pelo conselheiro Arnaldo Hossepian, que investiga o favorecimento do magistrado ao ex-genro no período em que este estava à frente da Prefeitura.

O interrogatório de Washington Luiz pode ser uma das últimas etapas do PAD 0003333-28.2016.2.00.0000 instaurado no ano passado e que foi prorrogado por mais 140 dias a contar do dia 26 de outubro último por decisão do colegiado durante a 29ª sessão do Plenário Virtual. O desembargador permanece afastado de qualquer atividade jurisdicional pelo menos até 15 de março de 2018.

No segundo revés para o ex-presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas em 15 dias, na terça, 7, o CNJ aprovou, em sua 30ª sessão do Plenário Virtual, o pedido do conselheiro Aloysio Corrêa da Veiga de prorrogação por 90 dias do PAD 0003335-95.2016.2.00.0000, no qual Washington Luiz é investigado por suspeita de envolvimento com o cartel da merenda escolar.

 

Contrato de empresa tinha sido suspenso pelo Ministério Público

 

O caso remonta a 2006, quando a SP Alimentação e Serviços Ltda obteve liminar que determinou à Prefeitura de Maceió sua recontratação como fornecedora de merenda para as escolas da rede municipal.

O contrato, feito sem licitação, havia sido suspenso por determinação no Ministério Público Estadual após constatação de superfaturamento e não cumprimento de cláusulas contratuais e as denúncias, em âmbito nacional, do envolvimento da empresa em um esquema que atingiu mais de 50 municípios dos estados de São Paulo e do Paraná.

Reconduzido no dia 10 de outubro último ao cargo de conselheiro do CNJ na vaga destinada ao Ministério Público Federal, o procurador da República Arnaldo Hossepian é quem conduz as investigações sobre as suspeitas de favorecimento ao ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus, por parte do desembargador.

Acusado durante suas duas gestões de improbidade administrativa e denunciado pela Procuradoria Geral de Justiça, o ex-prefeito teria sido “blindado”, como ele mesmo apregoava, pelo ex-sogro a ponto de os processos contra ele adormecerem por meses no TJ.

Cristiano Matheus somente foi afastado do cargo por pedido  do Ministério Público Estadual, em setembro do ano passado e por determinação da Justiça Federal onde foi igualmente denunciado e é réu por irregularidades em contratos de licitação e desvios de recursos públicos.