MPF denuncia Teotônio Vilela Filho por desvio de dinheiro público

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou, na última quinta-feira (7), o ex-governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), por desvio de dinheiro público para benefício próprio e alheio.

A denúncia do Núcleo de Combate à Corrupção (NCC) decorre da Operação Caribidis, deflagrada no dia 30 do mês passado. O objetivo é investigar fraudes nas obras do canal do Sertão.

Naquele dia, a Polícia Federal informou que o ex-governador aparece na lista de propinas da Odebrecht sob o apelido se ‘Bobão’ e teria recebido R$ 2,1 milhões em propina em três parcelas.

Teotônio Vielela já havia se pronunciado sobre as investigações. Por meio de nota, a assessoria dele informou que o político tem consciência de que não praticou nenhum crime e que a verdade será restabelecida.

“Em coerência com a sua história de vida pessoal e política, o ex-governador assegura ser o maior interessado na elucidação dessas investigações e que continuará à disposição das autoridades, contribuindo no que for preciso”, diz um trecho da nota.

Além de Teotônio Vilela, o MPF também denunciou o ex-secretário Estadual de Infraestrutura, Marco Antônio de Araújo Fireman; ex-secretário adjunto Estadual de Infraestrutura, Fernando José Carvalho Nunes; o ex-Superintendente/Assessor de Projetos Especiais da Secretaria Estadual de Infraestrutura, Ricardo Felipe Valle Rego de Aragão; ex-assessor especial do ex-governador, Carlos Alberto Quintella Jucá; como também o irmão do ex-governador, Elias Brandão Vilela Neto.

Funcionários da Odebrecht e da Construtora OAS também foram denunciados.

De acordo com as investigações, o Tribunal de Contas da União (TCU) estimou inicialmente a obra do Canal do Sertão em R$ 700 milhões. Mas o pagamento de propinas e superfaturamento levou a um prejuízo de R$ 70 milhões aos cofres públicos.

Por conta disso, na denúncia, o MPF ainda solicitou à Justiça a decretação de sequestro dos bens e das quantias depositadas nas contas dos denunciados até o valor total de R$ 71 milhões.

Operação

A ação é desdobramento da Operação Lava Jato. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal de Alagoas. No estado, houve buscas na casa do ex-governador, em Maceió, no bairro da Ponta Verde, e de Fireman, no condomínio Laguna, em Marechal Deodoro. Foram apreendidos computadores e celulares.

Segundo o delegado Antônio Carvalho, Teo Vilela recebeu três parcelas de propina. A primeira de R$ 1 milhão, a segunda de R$ 906 mil e a terceira de R$ 150 mil.